Combustível: Entenda o real risco de usar Etanol em um veículo movido a Gasolina

A troca de combustível pode funcionar em certas emergências, mas não deve ser recorrente, pois provoca diversos danos no motor do veículo que trazem manutenção mais cara para o motorista.

Quem se lembra da greve dos caminhoneiros e a falta de combustível?

Vamos usá-la como exemplo, ela provocou uma corrida aos postos de combustível de todo o país, e em muitos lugares faltou gasolina para abastecer os veículos.

Nessa situação quase caótica, quem tem um modelo a gasolina pode pensar em algo tentador: colocar etanol no tanque!

O uso do biocombustível em um motor projetado para queimar somente gasolina é possível, mas provocará danos no conjunto.

Nem pense, contudo, em colocar diesel em um motor flex ou a gasolina/etanol: é sinônimo de estrago feito na hora!

O primeiro impacto ocorre na partida a frio, ou seja, o etanol tem menor poder calorífico e é mais difícil de ser pulverizado em baixas temperaturas.

Por isso, modelos flex ou movidos apenas a álcool devem ter um sistema específico para ajudar a ligar o motor nessas situações.

Como um carro a gasolina não tem esse dispositivo, ligá-lo no frio quando houver etanol no tanque será bem mais difícil, pois sobrecarregará o motor de arranque, especialmente em modelos com partida por botão.

Esse risco existe porque muitos veículos com esse equipamento podem manter o motor de partida ligado ininterruptamente até o carro ligar efetivamente.

Fraqueza ébria

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Uma vez ligado, o carro vai demorar mais para esquentar e terá desempenho irregular.

O problema ocorre, sobretudo, por conta da diferença estequiométrica (razão entre ar e combustível) entre eles e pela taxa de compressão menor de motores que levam a gasolina como combustível.

As injeções eletrônicas modernas ajudam a diminuir esse problema, mas os mapas da ECU do motor são limitados, pois a maioria deles foi programado pensando apenas para o uso da gasolina.

Quando isso ocorrer, é possível que a luz-espiã da injeção se acenda e o carro tenha desempenho limitado.

E nem adianta esperar o ganho de potência que ocorre na maioria dos carros flex quando queimam etanol – na prática, é mais provável que o motor fique mais fraco até do que fosse abastecido com gasolina.

Medo de água

O maior problema será a longo prazo.

O combustível etanol que é encontrado nos postos tem até 5% de água em sua composição.

Essa água (inexistente na gasolina, que usa álcool anidro na mistura) irá provocar corrosão e danos em todas as partes do carro que entram em contato com o combustível.

A conta do prejuízo inclui bomba de gasolina, bicos injetores, velas e até junta de cabeçote e anéis do pistão.

O catalisador e outras partes do escapamento também podem ser danificados.

E melhor nem entrarmos na seara dos carros carburados. Como eles não conseguem se adaptar automaticamente ao combustível, podem sequer ligar no dia seguinte.

Mas então, qual combustível devo usar?

Se for essencial reabastecer seu carro com a gasolina, é possível colocar etanol no tanque. Prefira, no entanto, fazer isso quando ainda houver gasolina no tanque.

Também é bom evitar ligar o carro quando as temperaturas estiverem muito baixas e voltar a colocar gasolina o mais rápido possível. E você? Como tem lidado com o seu combustível? Deixe um comentário se ainda tiver dúvidas sobre o assunto!

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